editorial

Para o número inaugural da revista, busquei reunir em volume modesto escritos que correspondessem, cada um à sua própria maneira, ao projeto que a revista estabeleceu de abranger variados períodos de produção, cadeias de realização e geografias distintas.

Sobre a meta estabelecida pela revista, não possuímos a falsa expectativa de ”salvar” a crítica de cinema brasileira ou algo do tipo, mas esperamos que a análise frontal do material com que nos deparamos e o esforço de estabelecer (ou restituir) elos entre os cinemas dos mais variados contextos criativos e temporais contribua para o movimento de aproximação à uma metahistória do filme, como comentado por Hollis Frampton. Que consigamos contribuir em alguma medida para uma compreensão fílmica que não encare como entrave rótulos do tipo de ”experimental” ou ”cinema de gênero”, ou que um filme seja produzido no Mali e outro nos Estados Unidos, nem que tome como garantido um afastamento precipitado e desinteressado entre essas classificações, ou quaisquer outras.

Devido a isso, essa primeira edição perpassará por obras das mais diversas, começando em uma mina subterrânea de Portugal, chegando no tempo do último texto inédito à era de ouro do cinema mexicano e encerrando-se de vez com uma tradução trazida do francês sobre o cinema de John Ford.

Ainda há muitas qualidades que a revista necessita adquirir e muitas ambições para textos futuros que acabaram não entrando neste volume inaugural, mas o leitor pode esperar para edições futuras um diálogo maior com artes que ultrapassem o cinema e ensaios que articulem, com auxílio de uma amplitude de recursos e referências, novas teses possíveis para se enxergar o cinema e os filmes.

Luiz Honorio